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Leandro Vieira
Gestão de Projetos

Acabativa, o hábito que separa quem inicia projetos de quem os entrega

Dar acabativa é a habilidade de terminar projetos que você começa. Veja como fechar pequenas ações todos os dias evita iniciativas inacabadas.

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Você já parou para contar quantas iniciativas começaram na sua área, mas nunca chegaram ao fim?

Uma pesquisa rápida já mostra que esse não é um problema só seu. Os números ajudam a entender o tamanho da coisa. O TCU (Tribunal de Contas da União) mantém um painel de acompanhamento de obras paralisadas, segundo o qual, entre 2022 e 2024, o número de empreendimentos parados cresceu até chegar a 11.944 obras. Isso representa 52% do total de obras federais em andamento no período, que já consumiram R$ 9 bilhões em recursos públicos e ainda vão exigir mais R$ 29,4 bilhões para serem concluídas.

No setor privado não existe um painel parecido, já que nenhum órgão centraliza quantos projetos ficaram pelo meio do caminho dentro das empresas, mas isso não significa que o problema seja menor, só que ele fica invisível. Basta olhar para o portfólio de projetos da sua área e contar quantos itens estão ali, abandonados ou esquecidos pela metade, sem que ninguém tenha formalizado o encerramento.

O que é dar acabativa

Dar acabativa é a habilidade de levar um projeto até o fim, mesmo depois que o entusiasmo inicial já passou. Isso é bem diferente de começar bem. Começar é fácil, porque toda iniciativa nasce com energia, com um problema claro e com gente disposta a ajudar. O difícil é manter esse ritmo até a entrega, quando o problema original já perdeu urgência e outras prioridades passam a competir pela atenção do time.

Essa habilidade também gera credibilidade, porque um gerente de projetos conhecido por terminar o que inicia constrói confiança muito mais rápido do que um gerente conhecido só por ter boas ideias. Os stakeholders aprendem essa diferença com o tempo e acabam confiando seus projetos mais importantes para quem historicamente entrega.

O segredo é fechar um pouco todos os dias

Na prática, dar acabativa não depende de um esforço heroico no final do projeto, mas sim de uma pergunta simples que se repete todos os dias, que é o que precisamos fazer hoje para avançar este projeto.

É como construir uma casa, onde cada interação acrescenta um tijolo. Isolado, um tijolo não parece muito, mas com constância eles vão formando uma parede, depois um cômodo, até virar uma casa pronta para ser usada. O erro comum é esperar por um bloco grande de tempo livre para avançar o projeto inteiro de uma vez, só que esse bloco raramente aparece, deixando o projeto parado à espera dele.

Fechar pequenas ações todos os dias também ajuda a identificar quando um projeto travou, porque quando a pergunta "o que fazemos hoje para avançar" fica sem resposta por dias seguidos, isso já é um sinal de que algo precisa ser desbloqueado, renegociado ou até formalmente encerrado, em vez de simplesmente ficar largado de lado.

Do modo iniciador para o modo finalizador

O gerente de projetos costuma ser excelente no modo iniciador, sabe estruturar um escopo, mobilizar um time e vender a ideia para os stakeholders, mas o desafio real está em sustentar esse mesmo nível de atenção no modo finalizador, quando o projeto já não é mais novidade.

Isso não é uma crítica, é só uma observação sobre onde normalmente colocamos nossa energia, já que tendemos a dar mais atenção ao que começa do que ao que precisa ser fechado. Reconhecer esse padrão já é o primeiro passo para mudá-lo.

Olhe agora para os projetos que estão sob sua responsabilidade. Para cada um deles, pergunte o que precisa ser feito hoje para avançar um pouco. Repita essa pergunta todos os dias e você vai notar a diferença entre um portfólio de ideias inacabadas e um portfólio de entregas reais. Se quiser aprofundar essa mentalidade, já falei sobre ela em Sempre Fechando: uma dica prática essencial para concluir seus projetos.

Um abraço! Leandro | PMP | Gestor de PMO e Projetos

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