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Leandro Vieira
Gestão de ProjetosPMO

Proatividade em gestão de projetos: a diferença entre apoiar e assumir

Proatividade em projetos vai além de tomar iniciativa. Entenda o que isso realmente significa e como aplicar no seu time.

Proatividade em gestão de projetos

Você já recebeu um feedback de que precisava ser mais proativo, mesmo tendo certeza de que já estava agindo assim?

Isso aconteceu comigo. Vou te contar como, e o que aprendi sobre proatividade a partir daquele momento.

A situação que me fez repensar o que é proatividade

Eu estava no meu primeiro mês sob a liderança direta do CEO da empresa quando fui envolvido em um tema de grande gravidade. Ele fez uma pergunta simples, "quem está liderando esse tema", e endereçou a mensagem a quatro diretores.

Pouco depois, três deles se posicionaram, explicando em que pé estava a situação. Como eu era novo na posição, decidi agir "com proatividade": me coloquei como suporte na estruturação do tema e disse que participaria da próxima reunião de trabalho.

Recebi, na sequência, um feedback direto: eu precisava ser proativo.

Fiquei olhando para aquela mensagem tentando entender o que eu tinha feito de errado. Quando percebi como havia me posicionado, reconheci que ele tinha razão e agradeci o feedback.

Essa é uma habilidade valorizada em gerentes de projetos e, por vezes, escorregamos sem perceber, mesmo achando que somos proativos. Isso acontece e independe de cargo.

O que proatividade realmente significa

A maioria das pessoas enxerga proatividade apenas como o ato de tomar a iniciativa e fazer algo. Vai muito além disso.

Proatividade significa que nós somos responsáveis pela nossa própria atuação, e que nosso comportamento resulta das decisões que tomamos, não das condições externas. Ela está ligada a três elementos: iniciativa, escolha e responsabilização por essa escolha.

Voltando à minha história: quando me posicionei como suporte na estruturação, eu apenas reagi ao evento e me coloquei em espera, quando poderia ter escolhido assumir a responsabilidade que a minha posição exigia.

Assuma a responsabilidade e pare de culpar fatores externos

Temos iniciativa e responsabilidade para fazer os fatos acontecerem. Pessoas responsáveis não colocam a culpa do seu comportamento em circunstâncias ou condicionamentos: fazem escolhas conscientes sobre sua atuação e assumem as consequências dela.

A reflexão que fica é: "estou nessa condição por causa das escolhas que eu fiz."

Como aplicar proatividade nos seus projetos

Algumas ações práticas que uso para criar esse clima dentro dos times:

  • Estruture os projetos para que a soma das forças se complemente, criando responsabilização por cada frente de trabalho e pelo projeto como um todo. Eu chamo isso de "o projeto está acima das áreas".
  • Oriente individual e coletivamente por atitudes de autorresponsabilidade, e fique atento a frases como "já mandei e-mail há uma semana, agora é esperar a resposta", "a área XYZ é quem tem que decidir" ou "isso não é comigo, eles decidem". Esse padrão é comum em empresas tradicionais de baixa maturidade, e reconhecer os sinais é o primeiro passo para mudar a dinâmica.
  • Estimule o time a apresentar soluções além dos problemas trazidos. Perguntas simples ajudam: qual será a nossa resposta? O que podemos fazer agora com o que temos? Qual iniciativa podemos tomar nessa situação?
  • Valorize publicamente atitudes proativas nas reuniões do projeto.

O desfecho

Sobre o tema que gerou o feedback: corrigi a rota, reconheci que tinha falhado no posicionamento e assumi a liderança daquela frente. Hoje existe um senso de responsabilização coletivo na forma como o time trabalha nesse projeto.

Esse feedback mudou a forma como lido com proatividade também fora do trabalho, em casa e com a família.

No fim do dia, a responsabilidade pela ação é sua. Só estamos onde escolhemos estar.

Se esse tema de coerência entre discurso e ação te interessa, escrevi sobre isso em Comece por aqui, demonstre seus valores.

Leandro | PMP | Gestor de Projetos e Portfólios

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